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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Assassino

Sou um assassino.
Aprisionei em mim o hábito do poeta.
A cada instante roubava-lhe uma epopeia, e, de tanto sugar-lhe as ideias, ele veio a desfalecer.
Por demérito e enciumado pelos seus poemas, numa madrugada fria, abri a cadeia dos botões, e expulsei-o.

Pela manhã os patrulheiros do destino, trouxeram-lhe de volta, moribundo, jaz sem inspiração, ficou jogado aos meus pés. Tentei ressuscitá-lo com o Aurélio, dei-lhe doses de verbos e um naco de pronomes, tudo inútil... encontra-se em coma. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

convergir

Vou me replantar, mas,
Como ao útero não posso voltar
Voltarei a inocência
Cavarei o mais profundo poço,
Regarei a obediência.
E ao tempo de cada data
Colherei reparos
Podados das folhas do passado.
Quando então tornar a ter a idade do agora
Saberei da felicidade que este homem sempre sonhou ter.


Quero me atrever com palavras,
Marcar caminhos com virgulas,
Pontos... onde mesmo parado o texto continue.
Serei sempre um passageiro no banco de espere
na condução das novidades, irei ao cruzeiro.
Estarei no palco das estrelas,
De lá espiarei os mares,
Bisbilhotarei as mulheres nas proas, 

domingo, 19 de julho de 2015

Parâmetros

De alguns sonhos de infância, recordo plenamente.  Alguns eram de voar, atravessar o mares e rios, tocar pipas nas estrelas; acordava com a cruzeiro do Sul me devolvendo as que enganchavam na corcunda da sua cruz. A Estrela Dalva, carrancuda pelo molestamento, fazia-me queixas sobre o cerol que lhe deferiam as cores. 
Depois, passando pela fase maior recordo sonhos agitados, confusos, atribulados por me ver andando descalço pelas ruas da cidade, outras vezes, sem roupa. Comumente acordava aliviado por saber que era somente sonho.
Não vou detalhar as noitadas profanas que na intimidade descobria meu corpo, o colchão de mola não era discreto.
Nestas épocas eu estava me conhecendo como menino, e como menino, a dor aguda do desconhecido molestava-me a tal ponto de acordar excitado. Ainda não conhecia o oposto, mas tomado pelo gosto das imagens; dormia perto do ponto G.
Hoje, os sonhos rarearam, e os que ficaram, se tornaram industriais. Creio que já não os tenho originais. Os ledos pensamentos são unanimes em recordar as noitadas de baile.
Fazendo parâmetros, tudo mudou na virada dos LPs, ainda acordo na caminha de ferro, ou em poltronas das salas, onde varava madrugadas assistindo Jerry Lewis, lendo romances.... Pela manhã premeditava conhecer uma donzela que topasse morar comigo debaixo de uma ponte. O amor era insano, mentia para a realidade. Veio o mais tarde para me contar isso.  A vida me contou tudo, talvez seja esta a causa dos sonhos pausados e tornados em pesadelos.
Ficando adulto, os sonhos também cresceram, algumas das minhas namoradas devem estar passando pela menopausa. Todas elas me esqueceram, me trocaram por namorados, e, eu as troquei por Maria.
*Eu comecei a falar de sonho, não vou alternar por melancolia, portanto, termino dizendo: O sonho de um homem maduro é o resultado de uma vida toda.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Em noites de lua quebrada
Aterro-me na cama
Cavouco os pesadelos
Alguns rasos
Outros profundos
Todos, causas dos janeiros que se passam
Causas de um dia ter sonhado com a felicidade
De ter planejado sortes futuras,
Ramos de flores, uma namorada para ser a noiva
Para ser a mulher de companhia eterna.

Então acordo transpirando
Embora tudo seja sonho
As angustiam se vestem verdadeiras
E investem em estrelas apagadas
Fazem-me recobrar as apuras que tinha
Quando o papão das noites
Dizia-me: nunca terás uma dama,
Esposa não subirá em vossa cama,

Não conhecerás o amor,
Vagarás pela velhice a sós.
Num destes ocasos de luar quebrado
Dormindo em sofreguidão
Rasava-me os olhos em angustia
Fazia-me apertado o coração,
Foi quando, repentino,
Despertei-me em voz lamuriando orações tristes,
indagava a Deus, e mesmo sem ouvi-lo,
Compreendi o silêncio de um bastardo.


J.VL



A primeira dama

Passou por mim um mulherão
Linda e bela cheia e seios
Planeou em meus olhos
Veio ter na cabeceira da vontade, pousou.
Depois se ergueu rasante e
Eu fiquei com aquele quadro de instante;
E é com ele que enfeito a parede do céu.
Se nuvens escuras aparecem
Logo transfiguro o pensamento, lembro-me dela.
Lembro-me de tê-la seguido,
Falado ao seu ouvido.
Ofereci-lhe o meu dinheiro
Que por gozo e sem rodeio,
 Fiz a mais linda viagem...
Sem bagagem, não tomei caso do roteiro
Não lhe perguntei se era o paraíso.
Entreguei-me sem juízo
De onde fui, longe estou,

Nunca mais tive um amor.

sábado, 11 de julho de 2015

Quando as andorinhas
Tão delas
Tão nossas e guardadas numa primavera onde a distância faz o caso, as horas já se alimentam com pressa, e  por estar naqueles presentes, não enxergava sua boca grande, seus dentes enormes; em suas folhinhas, recolhia-se os momentos, e eu, jovem que fui, fazia pouco importância com as estações, corria pelas campinas das cidades. Via pessoas velhas e de vê-las quase não as compreendiam, e, perto estava. Lucidava naqueles protótipos, seres que agora os entendo por estarmos lado a lado.


terça-feira, 23 de junho de 2015

A vida

Toquei no corpo da rosa
Ela beliscou-me a mão,
Achei que fosse defesa
Descobri logo que não.

Da mesma forma
Percebi do atrever
O sentido do entrever
Isso e aquilo, nos levou a coma.


Isso e aquilo, um furinho na palma
Verteu-se uma gotinha
Mais tarde uma ferida

selada de doce veneno.




Menina, tenho vontade de lhe enviar as mãos,
explorar redondezas. Me dê o direito dos delírios
farei dos dedos um procurador do desejo
um seguidor das estrelas.
Viandarei em tua nave, pousarei a libido
Pernoitarei o esmero sem permitir que durma a vida







A vida é dura enquanto dura
Mole quando o fole aumenta
E na pele a tormenta esquenta.

A vida dura e dura tão pouco
A pena que a escreve, é leve, eleva...
Preserva-se o tempo, prolonga-se os momentos.

Dura vida, mole vida, atrevida
Estica-se, encolhe, recolhe
Retorna ao seu ovo e entorna-se.



Lapido as minhas poesias na pedra dura
Penso que o seu pingo, de tanto tocá-la,
Esculpa-se um poço de porte altura,

Para guardar as rimas em suas valas. 

Ainda agorinha

Minha garganta aperta-me, uma atafona acocha-me o pescoço, os olhos saltam das suas expressões e o juízo se confunde com o ontem.
Pela debilidade dos horizontes não conseguirei usar as ogivas guardadas das vontades que tive em ser emancipado.
Não peço muito, não peço pouco, o que peço não pesa; pouco importa se ainda tiver o mínimo, sei que não conseguirei carregar.
Ainda agorinha conheci um homem, namorava Maria, falava de amor, prometia não esquecer o sol, porém, o pico do meio dia causticava lhe o crânio descoberto.
Porquanto pude, acompanhei este ser mortal; assisti-o nas esquinas por onde passava. Vi nele a infância, junto, sua criança que puxava o moço, garboso e arrimado de dias.

As horas não lhe fugiam. Um avivamento jocoso mentia sobre o futuro sem fim.

sábado, 13 de junho de 2015

Vós mulheres

Vós mulheres, Lindas que são,
fazem os olhos se quebrarem,
o desejo ser ébrio num luar de noite sem compromisso.

Vós mulheres, escondidas em seus véus,
misturam corações...
dão ousadias para as mãos...

Vós mulheres, acordes de violões
Dão delírios para as notas
E gemidos que se perdem no teto do céu.

Vós mulheres, as únicas razões
São lábios que sussurram
porquanto, o arco-íris beija o pote de mel.


 J.Vlemes


terça-feira, 9 de junho de 2015

Cinco

Os sentidos dão para a vida as funções da existência.
Nada teria sentido sem a correspondência do tato.
O olfato explica as essências; a audição é o correspondente entre a alma e o corpo; o paladar é uma fonte geradora que atende as condições dos movimentos.
A visão é uma prova decisiva.
     Todos eles causam encantos que são transferidos para dentro de nós.
Quando ouvimos um passarinho, independente da beleza ou cor, seu canto embeleza os nossos ouvidos. Um sentido aprimora o outro, não deixando desapercebido o corpo, ainda que este, seja cinza, comum para os olhos.
O maior aleijão no ser humano, é ser falho num dos cinco sentidos.

Nossa vida é permeada de fantasias... Carismáticas, Usa a bula dos sentidos...
Manipula ideias impossíveis, algumas sobrevivem, crescem, e até se casam com outras utopias.  Vejam, a comichão da alma não se aquieta e as mãos são inquietas tateando o mundo.
Pode-se dizer que o tato é um sentido circunspecto. Sem ele o chacoalho não faria sentido nos berços, e os ursinhos de pelúcias não teriam sido criados. Não nos bastou estar preso no útero, ter saído para fora; até então os dedos eram bobos, os olhos, analfabetos, a língua simplesmente coabitava abaixo de um céu sem cor. No vindouro, a mesma língua se ativou para reconhecer novos sabores, e, digamos que mesmo ela, só saboreou o leite após tatear os seios.
Quanto aos pés, o que nos faz mapear os caminhos são as suas palmas que carimbam o solo, visto que recebem informações motoras comandando a vontade de ir e vir, e de buscar ocorridos que se ajuntam na história, tornando-nos protagonistas para reavaliar os porquês.
Quando pousamos acordados, a inquisição da existência, leva-nos nas noites, nos empurra sonâmbulos pelos corredores; não mais aquele que nos tirou do ovo. Sim, entre paredes esbarramos os ombros. Na maioria das vezes nos equilibramos nos ares, seguimos. Na frente, pomos as mãos nas massas do trigo, no moinho, cuja arquitetura se cria pelos impulsos dos punhos, e desta forma, os projetos elaborados, usam os remédios das fantasias...


Não sou futurista, e nem precipitado, pois, vivo apaixonadamente o presente,
Por ele ser saliente e gostoso é que não consigo esquece-lo no passado.
Minha saudade não vem do que irá acontecer, muito menos do luto;
vem da semente que ao seu tempo, brota;
Faz endereço na terra, enverdece seus ramos, toma herdades e depois despeja o fruto.
Permite-me subir em seu corpo, tocar-lhe as peças tenras.
Sem nada reclamar, assiste o atrevimento dos lábios em suas polpas.
As estações vão passando, mais lindo vão ficando o vestido de suas copas.
Deitado a sua sombra ponho os ombros aos seus pés,
Que por estarem nus, eriçam o atrevimento,
É como requerimentos, fazendo-me erguer, escalar, voltar,
Fartar-me das primaveras que descem através dos vãos das folhas.
Ah! O que seria do gozo sem a oferta do carpelo que convida os pequeninos voadores para se fartarem de mel; enquanto zunem alegres, levam informações genéticas para o androceu e da mesma forma o bilhete vai de um para outro, bate na porta do Gineceu, que deita a carta em seu colo e geme de prazeres e dores.
Pelo encantamento da paixão no passado, e pelo que me ergue no amanhecer e me traz no decair das noites, é que sinto a doce sorte ao fazer testemunho da rosa.

Talvez para os brutos, este meu sedimento, dê o parecer de borras.... É lastimável quando o amor é curto e não suporta a passagem do inverno. 


J.VLemes

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Do nosso amor


Olá! Qual o teu nome?
_ Silmara.
_ O meu é Vitor.

Estávamos impermeados de receios, talvez fosse uma vergonha infantil – de qualquer forma, eu me atirei em algumas conversas básicas; obtive respostas que aveludaram as minhas perguntas. Sentia-me inquieto, desconhecia a plenitude das coisas mágicas; não podia prever daquele instante que estava diante de uma evocação de amor.
Minha irmã menor estava junto de nós, no pouco que lembro, ela manuseava um livro, e assim, nós três, olhávamos um para o outro caçando amizades. As conversas que tivemos naquele dia, ainda faz rubro os meus pensamentos, porque, pelo que bem lembro, fiz para Silmara uma pergunta escolar sobre física, e é claro que eu estava bem entrosado na matéria, pois, o que não me dera naquele instante é ser 6 anos mais velho e ter, portanto, obrigação de conhecer o assunto decorado.
Aquela garotinha recebera o dom da franqueza, mesmo que estando em conflitos de vergonha, respondeu espontânea a frase: não sei.
Daquele encontro guardo esta marca que borracha alguma apaga de certos avexo.
Tão logo mudando de conversa, ela nos falou que tinha 12 anos, e eu, com os meus olhos de 18 anos, enxergo-me ridículo até hoje, não pela diferença da idade, mais por saber que os dois anos escolares que tinha a mais, era bem menos do que deveria ter se fosse o feraz inteligente que quis ser na minha altivez.
Lembro-me de você!
Cinco anos se passaram, agora, nos teus 17 anos, amadureci a atitude pedindo para lhe acompanhar, e no mesmo dia lhe pedi para ser minha namorada, e tu fostes, fostes também minha noiva, depois minha mulher. Não lhe fiz rainha, longe estive de ser rei, somente fui feliz.
Por onde fomos e por onde viemos, a jornada veio dos mesmos panos delicado e sutil.
Hoje, a glória dos dias multiplicou experiências, trouxe para nós a ciência, a consciência de que o destino existe. Afortunados, eu e tu, somos proprietários de quatro filhos e por respaldo, 4 netos.
Isto descobri da vida: somos gestores das herdades recebidas. Por quanto o globo gira e nós contribuímos com o ciclo paulatino.
Se possível fosse deixaria registrado todas as atividades... somando-se as boas, um castelo novo e nosso ergueu-se na natureza; algumas paredes servirão de cômodos para o futuro, outras serão vendidas, reconstruídas... não importa, o que virá depois serão consequência que houve na terra... se me permito dizer: dois alados que de lado a lado, sorriam quando na vertigem de subir e descer o gélido vento recebia os nossos rostos; e destes momentos, nós, marotos de saber que uma história estava compactando a jornada do romance, propenso a ser um best-seller.   
Silmara, você ainda está aí?
_. Sim!! Sempre!!
_. Que bom! Ouvir-te nesta reticencia.
Estou de caneta em punho, perdoai se a minha memória falha, e se dos tempos abortar um sorriso, quem sabe estes ainda estejam enfebrecidos de presente.
Ah! E por perguntar, hoje à noite voltei a conversar com a menina que entrou pelões das minhas entranhas, tomou posse dos meus olhos, namorou os meus sentidos, fez festa com os lábios embebidos de beijos; crescendo-se um pouco, passou a me dar aulas de amor.
Conversando com ela, me disse que a pergunta que naquela tarde lhe havia feito, não foi sobre física, mas sim uma indagação de um seriado que naquele instante passava na televisão de dinossauro. Foi aí que a minha pergunta empapuçou de vergonha a recordação que de quando em quando acorda. 
Perguntei-lhe: você acredita que ouve dinossauro?
_ respondeu-me: Se os homens estudaram o caso, devo acreditar.
_ O assunto fechou-se, porém, não os resquícios do primeiro encanto.
Tem vezes que o mundo dá o parecer de ser antigo, no entanto os momentos são atuais, como também tem coisas que as eras não levam embora, vem o sol, atrás vem a chuva, o frio, o vento; erguem-se as árvores, algumas são sementes da estia que se preservam para as tempestades. Debaixo do sol nada é novidade para que SE diga, um fruto diferente foi criado.

Certos acontecimentos são como anzóis que nos fisga e nos faz morar no mesmo Passaguá.

Lembro-me daquela menina – estiquei a mão e lhe disse: prazer.
Naquele tempo eu era extremamente tímido, e ela extremamente novinha. Não sei qual foi o mistério daquelas horas de olhares perdigueiros; como ainda não sei – ontem, sentávamos a mesa... vou mencionar a data que de nada vale: dia 12 de abril de 2015.
É compreensível dizer que de nada vale o relógio, as folhinhas e calendários quando duas almas se encontram num caminho eterno. Contudo, nesta primeira vaga somos figurinos frágeis. Após o conduzir do dia, estávamos um de frente para outro. Ela acabara de sair do banho, sentou-se do lado oposto; cansada – olhar quieto e caído. Preferiu encerrar a alimentação com uma xicara de leite com café, trocou a janta por 4 bolachas.
Percebendo que estava meio restabelecida dos aborrecidos, quis saber como correu o trabalho com as letivas crianças.
_ saiu um pouco do normal - com as crianças, sinto que cada vez mais, vou ganhando os abraços reclusos.  Até creio, que possivelmente irá melhorar em medidas. Não chegarei ao nível máximo, mas, estou fazendo conquistas.
Continuou – tudo estaria melhor se não fosse um caso desnecessário que ocorreu e ocorre normalmente quando as crianças cruzam pelas proximidades da secretaria. Elas na animosidade eufórica se excedem com as vozes. É meu papel pedagogo tentar conter para que tal não dê má informações para eventuais pais que estejam na recepção, ou salas de argumentações, e o que passou neste dia não foi diferente, se, fosse o fato de uma das Sisters presenciar tal fato. Isto trouxe reclamações com o meu superior. Levo-me a crer, que alguém, por motivos inescrupulosos, gosta destas desestabilizações para afligir emoções. 
_. Respirei triste e preocupado – nada pude,que não fosse meias palavras.
Depois ela passou a me falar da faculdade, que não deixou de ser mais algumas horas tortuosas. A prova estava num grau difícil. Algumas partes do livro haviam ficado mal explicitadas devido ao pouco tempo.
- Fomos para cama, e como acontece em todas as noites, dormimos após respirações de dois amantes.  

Dormindo, sempre sonho, como nesta noite que passou, sonhei ter trambicado a roda dos anos, e lá estávamos, eu e ela nos encontros que tínhamos quando saímos juntos, depois casamos, tivemos filhos, mas, nas coisas boas as minhas imaginações não bolem, na felicidade, a noite não caça.
Na verdade, das ocasiões que lá volto, não significa que quero fazer mudança e nem tão pouco mencionar tristeza por ter ficado velho. Gulosamente faço isto por ser uma opção de transição que o futuro permite para quem quer ajuntar as horas boas; ao contrário das fases que fui mais moço, porque quando lá estava não conseguia ir a futuro e nem saber que as dádivas do mundo morassem no distante, onde estou agora, eu e Maria.



   

Estou estabelecido na vida há sessenta anos.
Firmo, portanto, que alegrias se repetiram incessantes, quando não, houve tristezas, passaram.  Houve momentos de destrezas; a que mais figurou foi cálcio do amor.
Assim como os dias foram relativos aos anos, os contentamentos foram corporativos nos planos.  

Ainda estou aberto para uma saúde plena, porém, bem sei que a minha falência ocorrera inevitável. Contudo, gabo-me feliz pelas vendas dos meus produtos costumeiros ­- e digo convicto na condição de homem caseiro:  Lembro-me das paixões que tive, foram muitas, e dentre as passadas, menciono a minha infância, o afeto doce de mamãe, o chicote de meu papai, as formaturas da mocidade; ah, e como deixar de mencionar a lua de mel interminável, esta ainda copula a minha alma, e é ela uma assinatura viva nos meus formulários de atividades.    
J.VLemes 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Carta para o futuro: Queridos que aí estão, vos digo que em meu tempo muito desejei saber de voz.
Vivi grandes expectativas por não saber dos meninos, dos filhos dos meninos, e de todos. Folgo em saber que estarão bem.
Farei o possível para caminhar pelas alturas dos dias que virão, mas bem sei que eles têm limites, e, isto também é bom, porque na eternidade onde habitarei, as diferenças serão perfeitas. Ah Muito gostaria de falar, mas, sobre este assunto existe um véu que não permite vazar o som; uma coisa antevejo: a magnitude do estar lá, é o menos que se pode saber em tempos passados. Eu estarei envolto no presente eterno, e voz, os que lá não estiverem, estarão emaranhado nas coças das horas, assim como ainda estou; porquanto, o meu nome está em negrito na lista dos guerrilheiros.  Minha baixa já foi dada, o balão que me sustem permite segundos derradeiros; minha memória vaza a releitura dos instantes, permitindo-me tirar este último caderno que aqui voz deixo.  
Agora sei, os valores de tudo não passam de uma ilusão cabível na montagem de um texto derradeiro.  
Ah! Se soubesse disto antes, teria sido mais anjo, menos diabo...

Deixo a expectativa de nos reencontramos; estou indo, quero matar saudades de amigos que se adiantaram. Entre eles, há uma senhora especial.  

domingo, 22 de março de 2015

Ilusão ou verdade

A minha arrogância faz de mim uma celebridade. A pretensão colocou-me num supersônico, e nestes sons imperceptíveis acosto os meus sentidos; vou ouvindo os astros e seus acontecidos, a gata no cio mia no latifúndio da vontade; Os fiéis cães ladram como se estivessem participando do andor. Dentro de mim sei que existe um mundo, e sei que ele é construído conforme os passos dos segundos, e, eles não acontecem quando eu durmo. A janela da minha alma habita no olhar aberto – se é lua ou se sol, tudo existe e se harmonizam com o paladar, na verdade é outra janela no palácio do meu quintal. O Jardim que aqui floreia, ensina-me sobre as rosas sem nunca deixar de comentar o perfume inquieto que convida as abelhas; abre-lhes o salão das campinas, serve-lhes as cítricas como também as telhas para cobrir as colmeias. E assim eu vou me servindo. Um tanto é do que crio, outros, são palácios dos meus vizinhos. Uma coisa eu descobri: o rompante de tudo que existe sou eu que cunho! Digo isto por estar do lado de uma cripta, cuja mamãe dorme desde que lhe fora encerrada a liberdade da sua estrela.

J.VLemes

sábado, 21 de março de 2015

Duas taças

Quase sempre na boca da noite a melancolia bate à porta,
Vem fazer sua visita.
Para me engar, Faço de conta que ela é uma convidada,
Deixo-a entrar.
Já que a danada é dramaturga, não vaguearei as sós
Troco esperanças nas cartadas das horas.
Já tive madrugadas de leva-la a mesa
Puxar duas cadeiras, abrir a geladeira, tirar a champanhe especial,
Por uma taça de cada lado, caprichar no colarinho,
Embolar-me no desconforto, esvaziar a bebida uma atrás da outra.
Sei que a taça da minha convidada ficará intacta, também não me importo,
Tomo por mim e pela presença da manhã que está chegando,
Talvez seja isto: responsavelmente a nostalgia seguirá pelas avenidas das horas,
...Pelo clarear terei que enviar cartas de correspondência,
Ir ao florista, pô-las no jarro, e esperar por Maria.
Se Maria não vir, novamente a melancolia vira,
Ouvirei suas batidas repetindo visita.
Maria não veio! Veio o silêncio.

J.Vlemes

quinta-feira, 19 de março de 2015

Tristeza

Sinto ser um prisioneiro do silêncio
Ir para onde? Não sei!
Dizem que o mundo é grande
E por ser tão grande é que fico perdido.

Tenho medo... perdido estou,
Enxergo escuros no quarto, o vazio.
Justo eu que já jurei sigilo de voz,
Que afiancei o breu optativo.

E agora!?

Estou cansado das noites
Dos palavreados quietos das estrelas
Do imensurável cálculo de pensamentos.
Ainda mais, a imensidão grita de boca fechada.
E eu ouço, e me aguço no estertor de fora.

Tenho a afoiteza de olhar a tristeza da lua.
Faz-me parecer que chora, ou ao menos,
Há nela um mantra de purificação.

 Até sei que atrás do céu é um lar.
Será isto este estar quieto
Que faz dos pés um piloto automático!

Os grilos no quintal estão orando
Sei que eles louvam a Deus
E se louvam, é por estar esperançosos?
Ou por saber que existem almas,

A minha alma está apagada
O dispositivo do lume não clareia
Não abre picada na vida
Pressinto-me minúsculo, perdido...


J.VLemes

quinta-feira, 5 de março de 2015

Tímido

Conheci um menino, mudo.
Não que não falasse
O fato é que ele se calava diante de qualquer pessoa.
Se ia numa consulta médica, emudecia.

Sua mãe falava por ele, e ele ficava vermelho
De vermelho o coração deviria ficar roxo
Do rosto escorria pavor e água
Não eram lágrimas
Eram rios de acanhamentos.

Os amigos ao seu lado
Não compreendiam
Como podia! Menino já moço!
Acanhar-se diante de moças
Mas ele se acanhava por tudo.

Como familiaridade
Conselhos o dava
De nada adiantava.

O tempo não é tímido
Muito menos parado
E por ver o moço desesperado
Deu-lhe Maria que o compreendeu,
E o recebeu com seu dote fino.

A história é esta:
Ele casou-se
Teve vida, teve filhos
E Maria tanto o amou
Que engessou os seus lábios nos dele.
“Foram felizes para sempre!”


 J.VLemes

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Desapontamento



A decepção é arma contundente. A proposta que ela usa corta ou atira bala de desilusão, se corta ou atira, acerta o mesmo lugar, visto que ela tira do ânimo a vontade de continuar.
Sou uma vítima, abatida, não querendo, rodou por mim a roleta da vida, levou-me no vento, fez-me ver o convento onde se sacrifica a alma.

Morro um pouco a cada passo
Vivo um pouco a cada caminhada.
De passo a passo sigo para o amanhã
Quando o mais tarde chegar, estarei podado pela metade,
Dividido como semente que começa a brotar,
Ressurgirei do nada, da cinza e da água.

Novo universo enxergarei.
Não com olhos que se gastam
Ou com mente que se apaga.
Novo outro serei...  
Vivinho! Num novo corpo, viverei...

sábado, 31 de janeiro de 2015

Imaginação

As imaginações são como várzeas,
São águas que fazem curvas no lombo das pedras,
São ebriedades que olham o despenhadeiro, e gritam, chuáaa… chuáaa… talvez seja pela adrenalina de se atirarem numa tirolesa. Descem… descem… tecem uma cortina entre o pico até aos pés das rochas. Depois vão se arrumando para os rios como se o  silêncio fossem seus hábitos.

E eu dentro das ideias, sou seu escravo, pois os pensamentos me açoitam, fazem do meu coro um pergaminho vivo.
 um manancial que nasce no olhar, corre pelo corpo, segue alimentando as várzeas, passa pela represa do coração, um tanto é bombardeado para a cartilha do cérebro, irriga letra por letra, fazendo nascer outro tanto que navega em oceanos avivando os sentidos e dando vestidos para a vida.

Ficar quieto

Quantas vezes tive que vestir a casaca do bobo — ficar quieto como se os meus ouvidos fossem débeis. O sangue fervilha na têmpora, o coração jorra fel, a amargura da resina chega na garganta.
Nestes momentos de fecha, há debaixo do céu uma coisa que nos adocica a boca: ficar quieto, olhar nos olhos do afrontador e torturá-lo com o silêncio… Ele vai se abrandando como marruá que é, a cada olhar calado a verga do seu pescoço se quebra um tanto, a tortura vai ficando intensa; os galhos em sua cabeça tornam-se uma vaidade vencida; O urro perde a magnitude; perde o brio e sem mais resistir, deita-se na arena; só que agora, me olha, e olhando no fuzil dos meus olhos, enxerga força, sabedoria, e não mais o primeiro bobo!  

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Céu particular

Na rua onde moro ergueu-se um tremendo céu, completinho, do tamanho das minhas córneas esverdeadas.
Da varanda, atiço para dentro do cérebro as pétalas da natureza.  
Bem sei que o pó da argila que fez este boneco, pediu para os anos acompanhá-lo na escolinha particular onde apura-se os pensamentos... mantendo limpo o assento da inteligência.
Adiante, no quadro da alma está o professor, reconheço-O nas manhãs e ainda abraço os costumes que trago de Sião que é Despontar a melodia da arpa, espiar a acidez do esterco, acordar os vasos com spray de águas fria e relatar as atividades do meu pé de tomate.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O rodo do tempo

O tempo passou o rodo nos meus dias deixando a contento os caminhos que foram abertos como picadas em martas virgens. O que antes era mero barro, transformou-se num busto de barba branca, cocuruto na cabeça e uma corcova nas costas.
Resta-me unir o ócio e ter a profissão do vagabundo.
Cômodo seria sair da cama às 10 horas; tomar um banho preguiçoso, assumir o rumo dos bondes, sem pressa. Voltar no improvável para comer um trem mineiro.
Quem sabe seja assim a vida de aposentado que abre mão do cachorrinho e dos gatos mais.
Sinceramente! Nunca conseguirei acordar na mediocridade; me dobrar no princípio dos costumes; dosar o café com a água; andar pelos cômodos da casa, espiar se Maria ainda cochila.
Nunca estarei na inatividade! E nem tenho tempo para adotar coisas vã.  Muito me ativa ainda a bola do sol que entra e faz ponte com o castelo da hiperatividade.
O vento é outro vetor que ajunta-se no laboratório da lobotomia para fabricar emoções.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

solilóquio

Adotei em meu peito um amigo íntimo. Láaa no meu caminho fazendo como faço sempre, caminhava.
De repente, eis que do nada surge de dentro de mim um tal outro senhor, distraidamente lhe dei atenção, já longe íamos desapercebidos. Por vastos momentos disse-me ele ao tocar no meu silencio - Sou trabalhador de palavras; aceitas que me incorpore no baldar das raízes e tire os conjuntivos das expressões que ficam guardadas nas nuvens?
Distraídos em meu Jabaquara, ombro a ombro, íamos ferrenhos.
Quando o silêncio voltava ao seu posto, novamente vinha ele jogava água fria no nada e reiniciava novas crônicas e rimas numeradas em decassílabos. Entre nós, estava o diálogo...  Oportunamente pude então falar dos fascínios que outrora, em minha escrivaninha, lia Os Lusíadas.
Reiniciando um colóquio, pude falar sobre a minha liberdade com amigos poetas. Nossos olhos foram banhados de lágrimas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Alguém me compreende?

Andando no meu Jabaquara de 60 anos, marco encontros comigodeixo depositado nas calçadas, a fuga que dos pés caminham delirantes. Segue numa conversa sem juízo de homem que faz palestras iniquáveis com razões que noutros tempos foram reais. 
Sabe-se que cada um manifesta em seu raciocínio uma fonte inesgotável de perguntas, narrativas e enfim, sim, trazemos nestes vagos minutos os pastos e alguns minguados milhos. 
Quem nos vê, logo pensa que estamos procurando o parafuso a menos. Porém, pelo contrário, longe estamos aumentando interpretativas que condiz com caldos de garapa. 
Campeamos quase que numa loucura completa para fazer nascer esta amizade que entra em nós, monta seu palco; de um lado está o professor, doutro, o aluno, e entre eles os convidados.
A sintonia vai e volta penetrando na convecção discutida pela vida, quando não, somos pegos chorando pela comunhão de uma oração.  Amo fazer caminhada!
É viandando que aprendo recitar os Salmos, declamar poemas, e quando sobra tempo faço uma conferência, baseando-me em emoções que o passado deixou no lombo e no juízo deste velho amigo... 
Ah! Como gostaria de me ouvir quando estou no silêncio!
Pena! Que quase tudo se esquece, e eu me esqueço, as virgulas autênticas fogem; a minha mais íntima confissão não chega ao confessório.      
Sinto pena em perder o livro que jogo fora quando a caminhada termina. Se tento reescrever não consigo ter de volta a verdadeira peça, então faço plágio. 
É mais ou menos como perder na memória detalhes de um sonho lindo.